A ADPF das favelas, julgada recentemente no STF, provocou uma mudança estrutural no combate ao crime no Rio de Janeiro, redirecionando o foco das operações policiais em comunidades para a desarticulação financeira e institucional das organizações criminosas no estado.

Especialistas em segurança pública apontam que a medida gerou uma transformação profunda na estratégia de enfrentamento à criminalidade fluminense.

Cecília Olliveira, diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado, destaca que a determinação judicial promoveu uma revolução silenciosa.

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Segundo a especialista, as investigações passaram a mirar simultaneamente o braço armado, o setor econômico ilegal e a rede de proteção formada por agentes públicos.

O desdobramento ocorreu após a conclusão do julgamento no Supremo Tribunal Federal, que exigiu da Polícia Federal investigações permanentes e exclusivas contra os esquemas ilícitos.

A determinação da Suprema Corte também mobilizou órgãos de controle fiscal e financeiro para priorizar as diligências necessárias.

Mudança de estratégia contra as facções

Historicamente, a atuação policial restringia-se a incursões pontuais em áreas vulneráveis, dinâmica criticada por especialistas como um ciclo ineficiente de enxugar gelo.

Com o novo direcionamento, autoridades de diferentes esferas e políticos suspeitos de corrupção passaram a ser alvo de operações coordenadas.

O pesquisador Roberto Uchôa reforça que o respaldo do STF concedeu à Polícia Federal a sustentação política indispensável para atingir o topo das redes criminosas.

A gravidade da situação é ilustrada por dados do GENI e do Instituto Fogo Cruzado, que estimam milhões de habitantes vivendo sob influência armada na região metropolitana.

Impacto institucional e novos desafios

O advogado criminalista Cristiano Maronna avalia que a medida redistribuiu o eixo das investigações para o andar de cima, atingindo influentes figuras do poder público.

Apesar dos avanços na transparência e na redução da letalidade, analistas alertam para os riscos da dependência excessiva de inquéritos extraordinários conduzidos pela corte suprema.

Originada em uma arguição protocolada em 2019 pelo PSB, a ação consolidou diretrizes rígidas para o estado e para o governo federal.

Para os idealizadores, os resultados atuais refletem a mobilização histórica de familiares de vítimas da violência urbana em busca de justiça e direitos fundamentais.

FONTE/CRÉDITOS: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil