O Ministério da Saúde lançou, nesta quinta-feira (18), no Rio de Janeiro, o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil), com um investimento previsto de R$ 500 milhões. O objetivo é estruturar e expandir a atuação de equipes multiprofissionais para oferecer cuidado diretamente nos lares de idosos que possuem limitações funcionais e não conseguem se deslocar até as unidades de saúde, garantindo um atendimento mais humanizado e acessível.

As prefeituras de todo o país estão aptas a solicitar a implementação de novas equipes ou a ampliação das já existentes na atenção básica. Essa iniciativa inclui a possibilidade de aumentar a carga horária de atendimento e contratar mais profissionais, inclusive médicos especialistas, para reforçar a assistência.

Até o momento, 2.733 municípios demonstraram interesse no Padi Brasil, com um total de 3.677 equipes solicitadas para adesão ao programa. Este movimento inicial reflete a alta demanda por serviços de saúde domiciliares para a população idosa.

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Cada equipe multiprofissional poderá receber um incremento de até R$ 10 mil no repasse mensal, podendo alcançar o valor de até R$ 57,5 mil. O montante exato dependerá da modalidade da equipe (Ampliada, Complementar ou Estratégica), permitindo flexibilidade e adequação às necessidades locais.

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, as equipes são formadas por profissionais de diversas áreas da saúde. Eles atuarão de forma integrada com as equipes de Saúde da Família, proporcionando um cuidado abrangente e contínuo.

Cuidado especializado no lar

O ministro detalhou que os idosos receberão visitas de profissionais especializados, que terão um olhar atento para suas condições específicas, especialmente aqueles com dificuldades de mobilidade ou que não podem realizar atividades físicas. A composição dessas equipes inclui médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais.

Cada município terá a autonomia para definir a composição ideal de sua equipe profissional, escolhendo entre um "cardápio" de opções oferecido pelo Ministério da Saúde. Isso garante que a oferta de serviços esteja alinhada às particularidades de cada localidade.

O governo federal projeta um investimento de R$ 163,2 milhões em 2026 e R$ 329,3 milhões em 2027, totalizando os R$ 500 milhões anunciados para o programa.

Envelhecimento saudável e suporte do SUS

Dados recentes do Ministério da Saúde revelam que a expectativa de vida ao nascer no Brasil alcançou 76,6 anos em 2024. Atualmente, cerca de 80% dos idosos do país dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) para seus atendimentos médicos. Estima-se que aproximadamente 3 milhões de idosos acamados no território nacional são acompanhados pela atenção primária.

Alexandre Padilha ressaltou que o Padi Brasil se soma a outras iniciativas governamentais destinadas a elevar a qualidade de vida dessa parcela da população. Ele mencionou programas como o Farmácia Popular, que disponibiliza medicamentos para hipertensão, diabetes e fraldas geriátricas, e o Mais Especialistas, que visa reduzir o tempo de espera para cirurgias e exames especializados.

"Estamos reorganizando o SUS para cuidar melhor dos idosos no nosso país", afirmou Padilha, reforçando o compromisso com a saúde da terceira idade.

A Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa é uma ferramenta estratégica para o monitoramento das condições de saúde desse público, disponível tanto em formato físico quanto digital, no aplicativo Meu SUS Digital.

Adicionalmente, o ministério oferece materiais educativos para cuidadores, familiares e profissionais de saúde, abordando temas como prevenção de quedas e comunicação com pessoas com demência.

Homenagem

Durante a cerimônia de lançamento, o Ministério da Saúde prestou uma homenagem especial à médica e advogada Guilhermina Maria Galvão Siqueira Gomes. Sua visão e iniciativa foram a inspiração para a criação deste programa de alcance nacional.

Na década de 1990, Guilhermina, atuando no Hospital Municipal Paulino Werneck, na Ilha do Governador, identificou um padrão preocupante: pacientes idosos recebiam alta, mas frequentemente retornavam ao hospital por falta de acompanhamento adequado em casa. Essa observação a motivou a liderar a criação do Programa de Atenção Domiciliar (PAD) na unidade, que oferecia assistência médica, de enfermagem, fisioterapia, psicologia e apoio aos cuidadores familiares diretamente nas residências dos pacientes.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Cardoso - Repórter da Agência Brasil