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No Distrito Federal, o professor Loeh da Silva Araújo, um homem trans de 32 anos, é o idealizador do "Instituto Menines Bons de Bola". Esta iniciativa inovadora promove a inclusão ao reunir pessoas trans masculinas e femininas para a prática de futebol em espaços públicos, oferecendo um ambiente de pertencimento e suporte que transcende a mera atividade esportiva. O projeto, que já conta com 150 inscritos, é um "golaço" na luta contra a exclusão social e a solidão.
Para Loeh da Silva Araújo, a proposta do "Instituto Menines Bons de Bola" vai muito além das quatro linhas. "É muito mais do que futebol. Conversamos, nos unimos, cuidamos da nossa saúde mental, nos conhecemos e não nos sentimos mais solitários", explica o professor, destacando a dimensão social e terapêutica da iniciativa.
A relevância do projeto foi celebrada neste domingo (28), no centro de Brasília, durante o Dia do Orgulho LGBTQIA+. Na ocasião, Loeh aproveitou para reforçar o pedido de visibilidade para a iniciativa.
Os encontros do "Instituto Menines Bons de Bola" acontecem regularmente às quintas e domingos, promovendo um senso de pertencimento que Loeh descreve como um "golaço" dentro e fora das quadras. Atualmente, 150 pessoas já estão inscritas, evidenciando a demanda por esses espaços.
O professor enfatiza a importância de garantir espaços de visibilidade, representação e união para uma população que, infelizmente, enfrenta diariamente hostilidades e processos de exclusão em diversos âmbitos da sociedade.
Ceu Otaviano, coordenador do núcleo trans do grupo ativista Estruturação, de 37 anos, corrobora essa visão, apontando que pessoas trans frequentemente são marginalizadas das práticas esportivas tradicionais, reforçando a necessidade de projetos como este.
"O projeto do futebol ajuda na saúde mental de muitas pessoas", afirma Ceu Otaviano, sublinhando o impacto positivo da iniciativa no bem-estar psicológico dos participantes.
Inclusão e bem-estar
Entre os participantes, a lojista Mayura Kali, de 24 anos, expressa o desejo de dedicar mais tempo à prática esportiva. No entanto, sua rotina de trabalho, com escala 6x1, limita sua disponibilidade para os treinos.
Ainda assim, Mayura ressalta o alívio e a satisfação que encontra no campo. "Quando chego no futebol, tudo fica melhor. Já me destaquei no gol. Agora sou atacante. No futebol, posso ter conversas que não tenho no trabalho", compartilha, enfatizando o valor social e recreativo do esporte.
A autônoma Lilith Lunar, de 25 anos, que atua como artesã e bartender, compartilha um sentimento similar de fortalecimento e apoio mútuo proporcionado pelos encontros.
"Esses encontros que nos proporcionamos nos fortalecem para o dia a dia da vida da gente, que é tão difícil", declara Lilith, reforçando a importância da comunidade para enfrentar os desafios cotidianos.
Superando espaços de violência
Loeh da Silva Araújo relata com pesar o feedback de muitos participantes que, durante a infância e adolescência, evitavam as aulas de educação física. Quadras e vestiários escolares, infelizmente, eram percebidos como espaços de violência, marcados por bullying e até agressões físicas, o que gerava aversão à prática esportiva.
"Precisamos escolher os espaços que frequentamos para que sejam de construção e que a gente possa se blindar das violências", defende o professor, enfatizando a necessidade de ambientes seguros e acolhedores.
Durante os revezamentos em quadra, enquanto aguardam a vez de jogar, os participantes encontram um momento para desabafar e compartilhar experiências. Loeh assegura que "piadinhas ou apelidos não autorizados são proibidos na nossa atividade", garantindo um ambiente de respeito e segurança emocional.
Representatividade e sonhos
Para o professor Loeh, o "Instituto Menines Bons de Bola" é uma prova concreta de que a população trans tem o direito e a possibilidade de viver plenamente, divertir-se e celebrar sua existência, indo além da mera sobrevivência.
"Não é só estar vivo. Além de uma época de luta, é tempo de comemoração também", pontua Loeh, ressaltando a importância de equilibrar a resistência com momentos de alegria e celebração.
Entre os que celebravam a data e participam ativamente do projeto, destaca-se Daymon Luiz, de 27 anos. Apaixonado por futebol e funcionário de uma rede de bares no Distrito Federal, Daymon encontra no esporte uma paixão e um espaço de acolhimento.
Daymon, que já vivenciou uma gestação, é pai de uma menina de três anos. Sua experiência pessoal adiciona uma camada importante à discussão sobre diversidade e representatividade.
"Eu a levo para o futebol e também para os nossos atos. Ela é uma menina preta e já conversamos com ela sobre diversidade. Espero que, quando ela crescer, o mundo seja bem melhor", expressa Daymon, com a esperança de um futuro mais inclusivo para sua filha e para todas as pessoas trans.
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