Especialistas em relações internacionais e tecnologia alertam para o risco de ações ocultas dos Estados Unidos e de manipulação via plataformas digitais para interferir nas eleições no Brasil. Diante do acirramento das sanções norte-americanas, analistas indicam que o campo cibernético se tornou o principal palco de ingerência política no país.

A escalada de retaliações adotada pela administração de Donald Trump, como a sobretaxa de 25% e a revogação de vistos de autoridades brasileiras, sinaliza novos desdobramentos. Conforme apurado pela Agência Brasil, medidas recentes autorizam uma atuação inédita do governo norte-americano em conjunto com o setor privado de tecnologia.

O pesquisador Reynaldo Aragon destaca um memorando assinado por Trump na última quarta-feira (12) que autoriza operações de vigilância e efeitos digitais. Segundo o especialista, o documento abre margem para espionagem e elaboração de dossiês para favorecer ou prejudicar candidatos específicos no pleito brasileiro.

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Sob a justificativa de combater o cibercrime transnacional, o texto prevê parcerias com empresas privadas para acessar sistemas de informação sem autorização dos proprietários. Além disso, a iniciativa autoriza interferências diretas em redes de telecomunicações, internet e infraestruturas virtuais ou físicas.

Frente a essas ameaças, Aragon defende o fortalecimento da soberania digital nacional. Atualmente, a maior parte dos sistemas operacionais sensíveis do Estado brasileiro depende diretamente de corporações sediadas em território norte-americano.

Operações de vigilância e desinformação

Diferente de retaliações diplomáticas e comerciais abertas, as ofensivas digitais ocorrem de forma subterrânea e sem rastro direto de autoria. Aragon ressalta que o impulsionamento artificial de perfis em redes sociais é apenas uma das táticas em andamento no ecossistema de mídia.

O clima de tensão já havia escalado em julho, quando o governo brasileiro negou visto a dois diplomatas do Departamento de Estado dos EUA. Havia suspeitas de que os auxiliares do secretário Marco Rubio atuariam para desacreditar o sistema eleitoral do país.

Desacreditar o resultado eleitoral

Durante demonstrações do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro sobre os testes das urnas eletrônicas para os próximos pleitos, a segurança do voto voltou ao centro do debate público.

O historiador Euclides Vasconcelos prevê que novas tentativas de desestabilização do processo democrático devem acontecer. De acordo com o especialista em geopolítica, as corporações de tecnologia funcionam como extensões dos interesses estatais norte-americanos junto a recortes demográficos específicos.

Vasconcelos citou o exemplo do enclave espanhol de Ceuta, na África, onde mais de 60 mil pessoas cruzaram a fronteira movidas por desinformação coordenada em redes sociais. A presença de executivos da Meta, OpenAI e Palantir como oficiais no Destacamento 201 do Exército dos EUA reforça essa aproximação estratégica.

Nova doutrina de segurança dos EUA

As manobras refletem a nova doutrina de segurança nacional apresentada por Washington ao final de 2025, focada na consolidação de governos alinhados na América Latina. Casos recentes de interferência na Colômbia exemplificam a estratégia de contenção no continente.

Em declarações recentes, Donald Trump indicou a importância do cenário político brasileiro para as pretensões geopolíticas dos EUA. O Departamento de Estado também divulgou vídeo ressaltando a dominação norte-americana sobre a região, posicionando o Brasil como ator central a ser monitorado.

FONTE/CRÉDITOS: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil