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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quarta-feira (1), uma operação para desmantelar um sofisticado esquema de extorsão orquestrado por presidiários de um presídio em Pernambuco. Utilizando o conhecido "golpe do amor" através de aplicativos de relacionamento, os criminosos se passavam por integrantes de uma "facção criminosa" para intimidar e extorquir moradores do Distrito Federal.
A investigação revelou que os detentos combinavam duas estratégias criminosas: a simulação de pertencimento a uma facção e uma adaptação do "golpe do amor". Para isso, eles exploravam a internet e plataformas de comunicação como WhatsApp e Telegram.
Batizada de Operação Tróia, a ação da PCDF apurou que os criminosos aterrorizavam suas vítimas, fazendo-se passar por membros de uma poderosa organização criminosa. A pressão resultava na transferência de valores para contas bancárias de "laranjas" (interpostas pessoas).
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O modus operandi do esquema
A denúncia que deu início à Operação Tróia partiu de um residente do Riacho Fundo, no Distrito Federal. A vítima relatou aos investigadores que, após interagir com uma mulher em um aplicativo de relacionamento e compartilhar dados pessoais, começou a ser ameaçada por um indivíduo que se identificava como membro de uma facção.
Esse indivíduo alegava que a mulher com quem a vítima conversava era esposa de um dos líderes da organização criminosa. Ele então exigia um pagamento substancial para evitar supostas represálias contra a vítima.
O delegado Tell Marzal, responsável pelo caso, confirmou que as chamadas de ameaça eram realizadas diretamente do Presídio de Igarassu, em Pernambuco. Lá, o autor e seus cúmplices já cumpriam pena por outras infrações.
"Eles pressionavam as vítimas a efetuar transferências para contas específicas, sob a ameaça de que a facção executaria seus familiares", detalhou o delegado. Essa declaração evidencia a capacidade dos criminosos pernambucanos de operar de forma organizada e estruturada, mesmo estando detidos, com uma nítida divisão de tarefas.
Parte do grupo se dedicava à criação de perfis femininos falsos em aplicativos de relacionamento e redes sociais. Outra parte era responsável por interagir com as vítimas, manipulando-as para extrair informações pessoais valiosas que seriam posteriormente usadas para ameaças e extorsão.
"Após as transferências serem realizadas para as contas dos 'laranjas', o dinheiro era sacado por um núcleo financeiro externo ao presídio", acrescentou Marzal. Esse núcleo contava com a colaboração de três mulheres, que atuavam na lavagem do dinheiro.
Os valores arrecadados ilicitamente eram rapidamente pulverizados por diversas contas bancárias, caracterizando um complexo esquema de lavagem de dinheiro. O objetivo final era o saque e a reinserção desses recursos no mercado formal, conferindo-lhes uma falsa aparência de legalidade.
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