Em 2025, as quedas e as queimaduras foram os principais motivos de internação de crianças e adolescentes de até 14 anos no Brasil, somando mais de 80 mil ocorrências hospitalares. Segundo dados do DataSUS analisados pelo Projeto Criança Segura, da ONG Aldeias Infantis SOS, o país contabilizou 55 mil internações por quedas e 25 mil por queimaduras na infância.

No total, o sistema de saúde brasileiro registrou 1,6 milhão de hospitalizações por acidentes em todas as faixas etárias durante o ano. Desse montante, o público infantil e juvenil respondeu por 162 mil atendimentos, dos quais 128,5 mil foram mapeados detalhadamente pelo levantamento da organização.

A cada mês, cerca de 10,7 mil jovens deram entrada em hospitais devido a acidentes. Os estados de São Paulo (19.837), Minas Gerais (12.183) e Paraná (10.708) lideraram em números absolutos, enquanto Amapá (468), Roraima (543) e Sergipe (297) apresentaram os menores volumes de internações.

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Ao analisar a proporcionalidade populacional, contudo, o cenário muda expressivamente. O estado do Pará liderou a taxa de internações, alcançando 120 hospitalizações para cada 100 mil habitantes, seguido de perto por Tocantins, com 113, e Maranhão, com 102 casos por 100 mil pessoas.

Em contrapartida, as menores taxas relativas foram observadas no Rio de Janeiro (43 por 100 mil), Rio Grande do Norte (39) e Sergipe (13). Especialistas do projeto reforçam que investir em políticas públicas e ambientes seguros é crucial para conter sequelas e óbitos evitáveis.

Outras causas de acidentes infantis

Os acidentes de trânsito figuram como a terceira principal causa de internação na faixa etária analisada, somando 12,6 mil casos. A maior parte das ocorrências concentrou-se entre pré-adolescentes de 10 a 14 anos (50,4%), acompanhada pela faixa de 5 a 9 anos (32,3%).

As intoxicações responderam por 4,2 mil hospitalizações, atingindo majoritariamente crianças de 1 a 4 anos (37,7%). Em menor escala, o estudo identificou registros de sufocação (644 casos), afogamentos (261 casos) e ferimentos por armas de fogo (70 ocorrências).

Na comparação temporal, observou-se uma tendência contínua de alta. As hospitalizações cresceram 2,2% em 2024 frente a 2023, e subiram 5,4% em 2025 na comparação com 2024, acumulando alta de 7,7% no triênio. Apenas os acidentes com armas de fogo reduziram 13,6%.

Prevenção e atenção dos cuidadores

O relatório ressalta que mais de 90% dos acidentes na infância poderiam ser evitados com medidas simples de vigilância e campanhas educativas. A desatenção de cuidadores, muitas vezes associada ao uso de celulares, é apontada como fator decisivo para os aumentos recentes.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Jeronymo - Repórter da Agência Brasil