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Nesta terça-feira (30), o Rio de Janeiro sediou o pontapé inicial do Dia Nacional de Mobilização, um movimento que visa pressionar o Senado Federal pelo fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho. A operadora de caixa Fátima Dantas de Souza Alves, uma das participantes, expressou o cansaço da categoria, destacando a urgência da tramitação da PEC 221/2019.
Fátima, uma jovem de 22 anos que enfrenta oito horas diárias de trabalho em pé, enfatizou que a mudança na atual escala, que concede apenas um dia de folga semanal, traria "diversos alívios" significativos para sua vida.
"Precisamos de tempo para o cuidado físico e mental, para nossa casa e para passar mais tempo com a família. Atualmente, a qualidade desse tempo é inexistente, assim como a oportunidade de cuidar da própria saúde", desabafou Fátima, que almeja ingressar na faculdade e se tornar professora.
Centenas de manifestantes, munidos de bandeiras e faixas, uniram-se à operadora de caixa para percorrer aproximadamente 6 quilômetros. A caminhada, que durou quase duas horas, incluiu trechos da movimentada Avenida Brasil, via de acesso crucial ao centro da capital fluminense.
Jornada em 21 cidades
Esta mobilização integra um Dia Nacional de Lutas, cuidadosamente articulado por importantes entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e as frentes populares Povo Sem Medo e Brasil Popular.
Para esta terça-feira, estão programados atos em 21 cidades, abrangendo 14 estados e o Distrito Federal. O objetivo central dos ativistas é pressionar pela tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que propõe a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas e a garantia de dois dias de repouso semanal remunerado, sem prejuízo salarial.
Tramitação da PEC
A PEC 221/2019 obteve aprovação na Câmara dos Deputados em 27 de maio, mas encontra-se estagnada no Senado desde então, aguardando o despacho do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
Se o Senado aprovar o texto sem modificações substanciais, a proposta será encaminhada para promulgação pelo Congresso Nacional. Contudo, qualquer alteração por parte dos senadores implicará o retorno da PEC para nova análise na Câmara.
No início de junho, o senador Alcolumbre declarou que a análise da PEC deveria ocorrer “sem pressa”, sugerindo a possibilidade de “melhorias” no texto original.
Leonardo Guimarães, ativista da Frente Brasil Popular, anunciou um encontro agendado para quarta-feira (1º) entre centrais sindicais, sindicatos e movimentos sociais com Davi Alcolumbre. O objetivo é "destravar a pauta do fim da escala 6x1" no Senado.
A CUT, por sua vez, lançou o site "Na Pressão", uma plataforma para que a população possa enviar mensagens e intensificar a pressão sobre os parlamentares.
Rick Azevedo (PSOL), vereador no Rio de Janeiro, criador do VAT e um dos principais articuladores nacionais do movimento contra a escala 6x1, descreveu a virada de semestre como um "momento crucial para os trabalhadores brasileiros".
Azevedo criticou a falta de celeridade de Alcolumbre na tramitação da PEC, afirmando que a classe trabalhadora "não recuará" em sua reivindicação.
"A luta pelo fim da escala 6x1 transcende a demanda de uma única categoria. A mensagem clara que transmitimos hoje é que não vamos desistir", declarou à Agência Brasil, remetendo à sua antiga profissão, quando um vídeo viralizou e mobilizou parte da população por mudanças trabalhistas.
"O décimo terceiro salário, as férias remuneradas e a licença-maternidade são exemplos de conquistas históricas da classe trabalhadora. Estamos determinados a garantir também o fim da escala 6x1", complementou.
Apoio da população
Gabriel Siqueira, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), destacou o amplo apoio popular que a manifestação recebeu. Além disso, o ato expressou solidariedade a diversas categorias, incluindo os motoristas de ônibus da capital fluminense, que enfrentavam o segundo dia de greve nesta terça-feira.
"Durante todo o percurso, a recepção calorosa dos trabalhadores demonstrou que esta luta já angariou o apoio irrestrito da classe trabalhadora brasileira", avaliou Siqueira.
Márcio Ayer, presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, ressaltou que sua categoria está entre as mais afetadas pela escala 6x1, que oferece apenas um dia de folga semanal.
Ayer argumenta que um maior número de dias de descanso não apenas beneficia o trabalhador, mas também se traduz em maior dedicação e engajamento nas atividades laborais.
"Com um trabalhador mais descansado e com uma jornada de trabalho mais digna, a produtividade, consequentemente, tende a aumentar", afirmou.
"Parece que o empresariado não está disposto a considerar essa equação", concluiu Ayer.
Impactos
Nos últimos meses, diversas pesquisas apresentaram conclusões divergentes sobre os potenciais impactos da alteração na escala de trabalho sobre a economia brasileira. Parte desses estudos converge com a visão de representantes do setor produtivo, incluindo industriais e empresários do comércio, que preveem efeitos negativos como perda de produtividade, inflação e crescimento da informalidade.
Por outro lado, outras análises apontam que mais dias de folga poderiam elevar a motivação dos empregados e proporcionar maior tempo para consumo, impulsionando assim a economia.
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