A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) defende a obrigatoriedade de cobertura da mamografia digital pelos planos de saúde para beneficiários de qualquer idade, desde que haja indicação médica. A proposta visa ampliar o acesso ao diagnóstico precoce em todo o território nacional.

Para consolidar essa mudança, o órgão regulador iniciou uma consulta pública nesta semana. Atualmente, as operadoras são obrigadas a custear o procedimento apenas para mulheres na faixa etária entre 40 e 69 anos, com solicitação médica.

A tecnologia digital é considerada superior ao método convencional, sendo uma ferramenta crucial para identificar precocemente o câncer de mama. Ela permite detectar tumores em estágios iniciais, muitas vezes imperceptíveis ao exame físico.

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Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) reforçam a relevância da medida, estimando que o Brasil registre anualmente cerca de 73.610 novos casos da doença.

Benefícios da tecnologia digital

Segundo a agência, o diagnóstico ágil é determinante para o sucesso do tratamento, possibilitando intervenções menos agressivas e aumentando as chances de cura das pacientes.

A modalidade digital apresenta vantagens técnicas significativas, como a redução da dose de radiação e um tempo menor de compressão mamária. Além disso, o armazenamento digital facilita o compartilhamento de laudos entre especialistas.

Se aprovada, a nova regra eliminará barreiras de gênero e idade. Assim como ocorre na mamografia comum, bastará a requisição médica para que o plano autorize o exame digital para qualquer paciente.

A medida também promove a inclusão ao garantir o direito ao exame para pessoas não binárias, assegurando que a identidade de gênero não seja um impedimento para o cuidado preventivo.

Atualização do rol de procedimentos

A diretoria colegiada da ANS aprovou a iniciativa no último dia 8. Agora, o texto passa pelo crivo da participação social antes de ser incorporado definitivamente às normas do setor.

A proposta surgiu após debates técnicos na Cosaúde (Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar), que avalia a viabilidade de novas tecnologias no sistema privado.

Especialistas da comissão argumentam que a mamografia digital já é o padrão ouro no cuidado oncológico. Manter a restrição etária poderia atrasar diagnósticos essenciais e comprometer a saúde dos beneficiários.

Lenise Secchin, diretora da ANS, destaca que a agência busca constantemente modernizar as coberturas. Para ela, a evolução tecnológica atual torna injustificável a manutenção de limitações para um exame tão vital.

Como participar da consulta pública

Interessados em enviar sugestões para a Consulta Pública 173 têm até o dia 11 de julho para se manifestar. O formulário e os documentos técnicos estão disponíveis no portal oficial da agência.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil