As principais centrais sindicais do país iniciaram uma mobilização nacional para pressionar o Senado a votar a proposta de fim da escala 6x1 antes do primeiro turno das eleições. As entidades contestam a decisão da presidência da Casa de adiar a apreciação da matéria e exigem que os senadores se posicionem publicamente perante os eleitores ainda este ano.

O movimento engloba ações coordenadas em todos os estados da federação. A intenção é cobrar diretamente os parlamentares em suas bases eleitorais para antecipar a votação da PEC 221 de 2019, que estabelece a jornada máxima de 40 horas semanais e extingue a folga única semanal.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, criticou abertamente a decisão de pautar o projeto apenas após o pleito. Para o dirigente, a manobra articulada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), atende a pressões de setores empresariais e da oposição.

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Segundo Nobre, o adiamento visa poupar parlamentares de um desgaste eleitoral imediato. "Os empresários querem a votação depois da eleição porque sabem que o senador vai trair o povo. É isso que nós vamos denunciar nas ruas", afirmou o líder sindical.

Estratégia de mobilização e protestos

A estratégia do Fórum das Centrais Sindicais foi alinhada durante reunião com as seis maiores entidades do setor. O grupo aprovou o fortalecimento de panfletagens em centros comerciais, onde o trabalho na escala seis por um é mais comum, além de campanhas em redes sociais e atos de rua.

Os sindicalistas planejam solicitar uma reunião oficial com Alcolumbre para formalizar o pedido de antecipação. O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, expressou preocupação com o atraso, ressaltando que mais de 70% da população apoia a mudança constitucional e que o adiamento corre o risco de paralisar o avanço do texto.

Críticas do setor sindical e apoio na CCJ

Outros dirigentes acompanham o tom de insatisfação. Paulo de Oliveira, diretor da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), classificou a mudança de cronograma como uma atitude desleal com a classe trabalhadora, ao passo que Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), destacou a expressiva vitória da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Na CCJ, a proposta obteve parecer favorável com apenas quatro votos contrários. As centrais argumentam que a redução da carga horária sem diminuição salarial gera ganhos diretos em saúde mental e qualidade de vida, garantindo que o impacto financeiro para os empregadores é perfeitamente absorvível.

Posicionamento das entidades patronais

Em contrapartida, entidades patronais defendem cautela e respaldam a alteração da data. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) argumenta que mudanças dessa magnitude necessitam de rigorosas análises técnicas sobre seus reflexos na economia, na inflação e na geração de empregos.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, pontuou que o debate não deve ocorrer sob o atrito do calendário eleitoral, mas sim em um cenário neutro que assegure previsibilidade e sustentabilidade para o mercado de trabalho nacional.

FONTE/CRÉDITOS: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil