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Um levantamento realizado pelo Instituto Update sobre 12 candidaturas à Presidência da República revela que as propostas voltadas especificamente para as mulheres nos planos de governo se concentram em quatro áreas principais: violência, saúde, autonomia econômica e cuidado.
No entanto, temas fundamentais como a participação política, a representatividade nos espaços de poder, a autonomia e a segurança no ambiente público receberam muito menos espaço nas propostas avaliadas.
“Os programas reconhecem problemas que afetam diretamente as mulheres, mas avançam menos quando se trata de incorporá-las como sujeitos de decisão”, afirmou Carol Althaller, diretora executiva do Instituto Update.
A análise considerou apenas iniciativas explicitamente direcionadas ao público feminino. Políticas universais de saúde, educação ou segurança não foram contabilizadas automaticamente como ações voltadas para elas.
Outro ponto crítico levantado pelo estudo é a falta de detalhamento. Em diversos casos, há menções relevantes, mas sem metas claras, instrumentos de implementação ou articulação com políticas já existentes.
Participação política
A pesquisa concluiu que as mulheres aparecem mais como destinatárias de políticas do que como participantes ativas do poder.
Apenas um candidato apresentou propostas específicas sobre participação político-eleitoral feminina, incluindo o combate à violência política de gênero e o apoio a lideranças.
Violência contra as mulheres
Nove dos 12 planos analisados possuem diretrizes explícitas sobre o combate à violência, feminicídio ou proteção às vítimas.
Apesar de ser o tema mais disseminado, há divergências sobre a eficácia das medidas, que vão desde o endurecimento penal até a ampliação de redes de apoio e casas-abrigo.
Autonomia econômica
A autonomia econômica está presente em 58% dos programas avaliados, abordando temas como igualdade salarial, acesso a crédito e empreendedorismo.
O levantamento aponta que há convergência sobre a importância da independência financeira, mas divergências profundas sobre os caminhos para alcançá-la.
Políticas de cuidado
O estudo também destacou que a oferta de creches e políticas de cuidado é tratada ora como infraestrutura social, ora como suporte exclusivo à família.
Para o instituto, o desafio central reside em definir qual deve ser o papel do Estado na gestão e divisão dessas responsabilidades cotidianas.
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